Artrodese Subtalar: indicações, cirurgia e recuperação
A artrodese subtalar é uma cirurgia realizada para promover a fusão da articulação localizada entre o tálus e o calcâneo, na região posterior do pé. O procedimento pode ser indicado principalmente quando essa articulação apresenta artrose, deformidade ou outras alterações que provocam dor e dificuldade para caminhar.
Uma das situações associadas ao comprometimento da articulação subtalar são as sequelas de fraturas do calcâneo. Mesmo depois da consolidação da fratura, podem permanecer alterações na cartilagem, no formato do osso e na mecânica da articulação, levando ao desenvolvimento de artrose subtalar dolorosa.
A cirurgia elimina definitivamente o movimento da articulação subtalar. Entretanto, isso não significa que o tornozelo ficará sem movimento. A flexão e a extensão do tornozelo são preservadas, enquanto a principal mudança ocorre na capacidade do retropé de se adaptar às irregularidades e inclinações do terreno.
Por isso, entender qual movimento é perdido, como ocorre a recuperação e quais atividades podem ser realizadas depois da cirurgia é importante para avaliar as possíveis repercussões de uma artrodese subtalar.
O que é artrodese subtalar?
A articulação subtalar está localizada entre o tálus e o calcâneo e desempenha um papel importante na movimentação e adaptação do retropé.
Enquanto a articulação do tornozelo participa principalmente dos movimentos de flexão e extensão, a subtalar contribui para os movimentos que permitem ao pé se adaptar lateralmente às características do terreno.
Na artrodese subtalar, a cartilagem da articulação é retirada e as superfícies do tálus e do calcâneo são preparadas para que os dois ossos possam consolidar entre si. Eles são posicionados no alinhamento planejado e estabilizados até que ocorra a formação de uma ponte óssea entre eles.
Depois da consolidação, tálus e calcâneo passam a funcionar como uma unidade nessa articulação, eliminando o movimento subtalar que anteriormente poderia estar associado à dor.
Quando a artrodese subtalar é indicada?
Uma das principais indicações da artrodese subtalar é a artrose subtalar dolorosa, principalmente quando a doença provoca limitação das atividades e os tratamentos conservadores deixam de proporcionar controle adequado dos sintomas.
Antes da indicação cirúrgica, dependendo da causa e das características de cada caso, podem ser utilizados tratamentos como modificação das atividades, medicamentos, fisioterapia, palmilhas, órteses e infiltrações.
A cirurgia pode ser considerada quando existe comprometimento importante da articulação e a dor continua interferindo na caminhada, no trabalho, na prática de exercícios ou nas atividades cotidianas.
Além da artrose, a artrodese subtalar pode ser utilizada em determinadas situações envolvendo deformidades do retropé, sequelas traumáticas e outras doenças que comprometem a articulação subtalar.
A indicação depende não apenas das alterações observadas nos exames, mas também dos sintomas, do alinhamento do pé, das condições das articulações vizinhas e das necessidades funcionais do paciente.
Artrose subtalar após fratura do calcâneo
As fraturas do calcâneo podem provocar comprometimento da articulação subtalar, principalmente quando a lesão envolve a superfície articular entre o calcâneo e o tálus.
Mesmo depois da consolidação da fratura, podem permanecer irregularidades ou alterações na cartilagem e na anatomia da região. Com o passar do tempo, alguns pacientes podem desenvolver artrose subtalar pós-traumática, acompanhada de dor e limitação das atividades.
Quando os sintomas são importantes e persistem apesar do tratamento conservador, a artrodese subtalar pode ser considerada para eliminar o movimento doloroso entre o tálus e o calcâneo.
Como é feita a cirurgia de artrodese subtalar?
O princípio da cirurgia é preparar a articulação para que o tálus e o calcâneo consolidem entre si.
Durante o procedimento, a cartilagem das superfícies que serão fusionadas é retirada e o osso é preparado para favorecer a consolidação.
Além da preparação das superfícies ósseas, é importante posicionar o retropé no alinhamento planejado. Quando existe uma deformidade associada, sua correção pode fazer parte do procedimento.
Depois disso, tálus e calcâneo são comprimidos e estabilizados com o sistema de fixação adequado ao caso. Em determinadas situações, também pode ser necessário utilizar enxerto ósseo.
Nas semanas e meses seguintes, ocorre progressivamente a formação de uma ponte óssea entre os dois ossos até que seja obtida a consolidação da artrodese.
Artrodese subtalar aberta ou artroscópica?
A artrodese subtalar pode ser realizada por técnica aberta ou, em casos selecionados, por técnica artroscópica.
Na cirurgia aberta, a articulação é acessada por uma incisão que permite ao cirurgião preparar diretamente a região que será fusionada.
Na técnica artroscópica, pequenas incisões são utilizadas para a introdução de uma câmera e dos instrumentos necessários para preparar a articulação.
A escolha da técnica depende de fatores como a causa da doença, a existência e o grau de deformidade, cirurgias anteriores, características da articulação e planejamento do cirurgião.
As duas abordagens podem ser utilizadas para obter a fusão da articulação subtalar. Por isso, a escolha deve ser individualizada, em vez de considerar uma das técnicas automaticamente superior para todos os casos.
O pé perde movimento depois da artrodese subtalar?
Sim. Depois da consolidação, a articulação subtalar deixa de apresentar movimento. Entretanto, isso não significa que todo o pé ou tornozelo ficará rígido.
A cirurgia não promove a fusão da articulação do tornozelo. Portanto, o movimento de flexão e extensão entre a tíbia e o tálus permanece preservado quando essa articulação está saudável.
A principal alteração ocorre nos movimentos do retropé relacionados à adaptação do pé às irregularidades e inclinações do terreno.
Outras articulações do pé permanecem móveis e podem participar da adaptação da marcha. A repercussão funcional varia de acordo com as condições dessas articulações, o alinhamento do pé, a força muscular e outros fatores individuais.
Qual é a diferença entre artrodese subtalar e artrodese do tornozelo?
A diferença principal está na articulação que é fusionada e no movimento que é perdido.
Na artrodese subtalar, a fusão ocorre entre o tálus e o calcâneo. A flexão e a extensão do tornozelo permanecem preservadas, mas ocorre redução dos movimentos do retropé responsáveis pela adaptação lateral ao terreno.
Na artrodese do tornozelo, a fusão ocorre entre a tíbia e o tálus. Nesse caso, é a articulação responsável por grande parte da flexão e extensão do tornozelo que perde o movimento.
Por isso, embora os dois procedimentos sejam realizados na mesma região anatômica, suas repercussões sobre a mobilidade são diferentes.
Para conhecer outros tipos do procedimento e suas indicações, veja também artrodese do pé e tornozelo.
Quanto tempo demora a recuperação da artrodese subtalar?
A recuperação da artrodese subtalar varia de acordo com as características da cirurgia e de cada paciente.
Fatores como qualidade óssea, tipo de fixação, presença de deformidades, condições clínicas e evolução da consolidação podem influenciar o tempo necessário para avançar pelas diferentes etapas da recuperação.
Nas primeiras semanas, o objetivo é proteger a região operada enquanto se inicia o processo de união entre o tálus e o calcâneo. A consolidação óssea ocorre progressivamente ao longo das semanas seguintes e pode exigir alguns meses.
O acompanhamento clínico e os exames de imagem ajudam a avaliar a evolução desse processo e a orientar a progressão das atividades.
Quando é possível apoiar o pé após a artrodese subtalar?
O momento de iniciar e aumentar o apoio do pé deve ser individualizado.
Na fase inicial, pode ser necessário evitar ou limitar a carga sobre o membro operado. Posteriormente, o apoio pode ser aumentado de maneira progressiva conforme a evolução clínica e a consolidação observada nos exames.
O tipo de fixação, a qualidade óssea, as características da cirurgia e a evolução de cada paciente influenciam essa decisão.
Por isso, não existe um prazo único para todos os casos. O paciente deve seguir o protocolo definido pelo cirurgião responsável para iniciar e progredir o apoio do pé.
Consolidação óssea e recuperação funcional
A consolidação ocorre quando se forma uma união óssea estável entre o tálus e o calcâneo. A recuperação funcional, entretanto, não termina necessariamente nesse momento.
Músculos, tendões, equilíbrio e padrão de marcha ainda precisam se adaptar à nova mecânica do retropé.
Por isso, o retorno ao trabalho, às caminhadas mais longas e aos exercícios deve considerar não apenas a consolidação observada nos exames, mas também força muscular, dor, equilíbrio e as exigências específicas de cada atividade.
Como fica a caminhada depois da artrodese subtalar?
Uma das funções da articulação subtalar é permitir que o retropé se adapte às características do solo. Por isso, a repercussão da artrodese pode ser percebida de maneira diferente conforme o tipo de superfície.
Depois da recuperação, caminhar em terrenos planos costuma ser melhor tolerado. Já areia, trilhas, pisos inclinados e terrenos acidentados exigem maior capacidade de adaptação do retropé e podem representar um desafio maior.
Isso não significa necessariamente que essas atividades se tornem impossíveis. A capacidade funcional depende também das condições das demais articulações do pé e tornozelo, da força muscular, do equilíbrio e do condicionamento físico.
Além disso, muitos pacientes candidatos à artrodese já apresentam uma articulação subtalar rígida e dolorosa antes da cirurgia. Nesses casos, eliminar o movimento doloroso pode proporcionar melhora da caminhada apesar da perda definitiva do movimento naquela articulação.
É possível praticar exercícios após a artrodese subtalar?
A realização de uma artrodese subtalar não significa necessariamente abandonar uma vida fisicamente ativa.
Depois da consolidação e da recuperação funcional, atividades de menor impacto, como caminhada, bicicleta, musculação, natação e elíptico, podem ser possíveis para muitos pacientes.
O retorno depende das condições das demais articulações, do alinhamento do pé, da força muscular, do condicionamento e do nível de atividade anterior à cirurgia.
Atividades realizadas em terrenos irregulares podem exigir maior adaptação devido à redução do movimento subtalar. Já esportes de impacto, corrida, saltos e atividades com mudanças rápidas de direção apresentam resultados mais variáveis e precisam ser avaliados individualmente.
Quais são as possíveis limitações e sequelas da artrodese subtalar?
A principal consequência permanente da artrodese subtalar é a perda do movimento entre o tálus e o calcâneo.
Essa limitação tende a ser percebida principalmente em situações que exigem adaptação do retropé a superfícies irregulares ou inclinadas.
Entretanto, a repercussão funcional não deve ser avaliada apenas pela quantidade de movimento perdida. Nos pacientes com artrose avançada, a articulação muitas vezes já apresenta rigidez e dor antes do procedimento.
Nessas situações, a cirurgia substitui um movimento doloroso e pouco funcional por uma articulação estável. Assim, apesar da perda definitiva do movimento subtalar, pode ocorrer melhora da capacidade de caminhar e realizar atividades depois da recuperação.
O resultado depende da indicação adequada, do alinhamento obtido durante a cirurgia, da consolidação, das condições das articulações vizinhas e da recuperação funcional.
A artrodese subtalar pode sobrecarregar outras articulações?
Depois que a articulação subtalar é fusionada, outras articulações do pé podem participar da compensação pelo movimento que deixou de existir.
Ao longo do tempo, essa mudança na mecânica pode aumentar a solicitação sobre articulações vizinhas e estar associada ao desenvolvimento ou à progressão de alterações degenerativas em alguns pacientes.
Isso não significa que todas as pessoas submetidas à artrodese subtalar desenvolverão artrose nas articulações próximas.
Além disso, algumas alterações nas articulações vizinhas podem já estar presentes antes da cirurgia. Por isso, a condição do restante do pé e tornozelo deve ser considerada tanto no planejamento do procedimento quanto no acompanhamento a longo prazo.
Quais são os riscos e complicações da artrodese subtalar?
Como em outros procedimentos cirúrgicos, a artrodese subtalar apresenta possíveis riscos e complicações.
Entre eles estão:
- problemas de cicatrização da pele;
- infecção;
- irritação ou lesão de estruturas nervosas;
- trombose;
- incômodo ou problemas relacionados ao material de fixação;
- consolidação em posição inadequada;
- falha de consolidação da artrodese.
A presença de determinados fatores clínicos pode interferir na cicatrização e na consolidação óssea. Por isso, a avaliação pré-operatória e o acompanhamento durante a recuperação fazem parte do planejamento do tratamento.
O que acontece se a artrodese subtalar não consolidar?
Quando não ocorre a união óssea adequada entre o tálus e o calcâneo, existe uma condição chamada pseudoartrose ou não consolidação da artrodese.
Nessa situação, podem permanecer dor e movimento no local em que se esperava obter uma fusão estável.
Fatores como tabagismo, alterações da qualidade óssea, algumas doenças sistêmicas, neuropatias e outras condições clínicas podem aumentar o risco de problemas de consolidação.
A conduta depende dos sintomas, das características da pseudoartrose, dos exames e das condições de cada paciente. Em algumas situações, pode ser necessário tratamento adicional ou uma nova cirurgia.
Referências
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