Pé Diabético

O Pé Diabético é melhor compreendido como uma síndrome, isto é, como um problema causado por diversos diagnósticos diferentes (Imagem). Esse é o ponto chave para o entendimento e tratamento da patologia.

Diagrama exemplificando as possíveis causas da Síndrome do Pé Diabético

Nem todo paciente com diabetes tem pé diabético. A patologia pode ser conceituada de forma simplificada como uma alteração no sistema nervoso sensitivo, que diminui a sensibilidade protetora dos pés, ou no sistema nervoso motor, causando deformidades nos pés, ou alterações vasculares, diminuindo o aporte sanguíneo com potenciais isquemias, ou úlceras, que facilitam o contato com bactérias nos tecidos profundos dos pés, ou infecção, facilitada por uma imunidade comprometida inerente à diabetes mal controlada, ou ainda deformidades ósseas progressivas, entre elas a Osteoneuroartropatia de Charcot.

O controle da diabetes é essencial para evitar ou diminuir essas complicações.

Tratamento

O tratamento só é possível se soubermos identificar qual é o tipo de pé diabético com o qual estamos nos deparando. Uma visão simplificada dessa síndrome levará a erros diagnósticos e consequentemente a tratamentos equivocados.

Da mesma forma, devemos lembrar que o paciente com pé diabético necessita de cuidados endocrinológicos e muitas vezes oftalmológicos, cardíacos, vasculares, nefrológicos e infectológicos associados, não apenas do ortopedista especialista em pé e tornozelo. Sem uma equipe multidisciplinar coesa, o tratamento terá um resultado muito aquém do desejado.

Quando uma pessoa com sensibilidade normal machuca o pé, ela pára, olha, cuida e protege para cicatrizar e não piorar. Imaginem uma outra pessoa que não sente o pé, quando houver uma lesão (batida ou corte, por exemplo) ela não sentirá e continuará andando, piorando mais ainda as condições do machucado. Esse é o problema do paciente com pé diabético neuropático.

Deformidades do pé criam pontos específicos de sobrecarga, que em pés sensíveis causam dor, e em pés insensíveis (como a neuropatia diabética) vão lesar progressivamente as estruturas do pé, levando à calosidade e úlceras.

Vale a pena lembrar que lesões da pele dos pés (cortes, úlceras e micoses interdigitais) permitem o contato de bactérias e fungos com o meio interno. Somando a isso, a diminuição da capacidade de defesa imunológica que a diabetes pode causar, temos uma situação com grande potencial infeccioso.

Por isso é de suma importância o paciente proteger e inspecionar constantemente os pés.

A escolha de meias e calçados adequados faz parte dessa proteção, evitando atritos contra a pele, oriundos tanto das eventuais costuras quanto das incompatibilidades de tamanho entre os pés e calçados.

O tamanho dos calçados deve contemplar o comprimento, largura e altura dos pés, não podem ser pequenos para não apertar, ou grandes, permitindo mobilidade inadequada do pé. O solado deve ser composto de material firme, protegendo a mecânica do pé e a palmilha deve ser plana de material macio.

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